sábado, 21 de maio de 2011

APOCALIPSE????


Por entre delícias e alegrias
Ergueu Deus o Céu e a Terra
Para entregar a alguns rufias
Que só pensam em fazer guerra.

Se o homem continuar em disputa
E usar o armamento nuclear
A hipótese de sobreviver é diminuta
E poucos ficarão para contar

Paira no ar a sombra apocalíptica
Que sobre a Terra pode desabar
E provocar uma destruição terrífica
Se dela o homem se não souber livrar

Destruir o arsenal químico e nuclear
E pôr fim à ameaça biológica
É a opção que todos deviam tomar
Por mais válida e mais lógica.

Seis dias demorou Deus a construir
A Terra e tudo o que nela habita;
Ao homem basta um para destruir
Tudo o que Ele fez, se não o evita.

Penso que Deus foi longe demais
Ao dar ao homem saber de sobra
Para inventar as armas infernais
Que podem destruir a sua obra.

Falam os avós!!!

                         Falam os Avós

Muitos de nós, sós e abandonados,
Após uma vida de sacrifício
Apenas temos algum benefício
Nos Lares em boa hora criados.

Não é fácil aos avós serem olhados
Como peso e causa de desperdício
Enquanto o parasitismo e o vício
São entendidos e bem apoiados.

Herdámos um passado de misérias
E trabalhámos duro sem ter férias
Que a geração de hoje nem acredita.

Mas apesar de termos a força gasta
Temos ainda viva mente que basta
Para entender quem nos evita.

Falam os avós II

Vivemos numa região do interior
Onde os avós são mais que os netos
E como estes carecem de afectos
De apoio, compreensão e amor.

Se hoje não temos o mesmo vigor
Nem iguais ambições e projectos
Não podemos admitir ser objectos
Cuja manutenção seja um favor.

È certo que somos fracos e doentes
Mas já fomos fortes e valentes
Merecedores de honra e respeito.

E os novos de hoje têm o dever
De às nossas necessidades suster
Não por esmola mas por direito.

Não

Não!!!

Não basta ter dinheiro e poder,
Ser senhor de riquezas ou brasões,
Para se julgar no direito de merecer,
O respeito e gratidão das multidões.

Não é dizendo tudo o que quer,
Sobre o que se passa na vida alheia,
Que torna mais digno um qualquer,
Ou lhe confere o lugar que anseia.

Não é com linguagem destravada,
Ofendendo a torto e a direito,
Que uma pessoa pode ser estimada,
Ou merecedora de mais respeito.

Não é só bater no peito e rezar,
Ainda que tenha a língua gasta,
Que faz um cidadão exemplar,
Ou para se salvar isso lhe basta.

Não basta ser inteligente ou letrado,
Para fazer dos cidadãos os maiores,
Se não forem humildes com os do lado,
Ou os tenham em conta de menores.

Não são as roupas de marcas sonantes,
Ou os perfumes de elevado preço,
Que tornam as pessoas importantes,
Ou lhe granjeiam qualquer apreço.

Não é desprezando o mais pobre,
Tratando-o de modo grosseiro,
Que faz de alguém cidadão nobre,
Ou lhe confere lugar cimeiro.

Não é dizer nas costas de outrem,
O que de frente se é incapaz,
Que faz da gente pessoa de bem,
Ou a torna mais justa e capaz.

Não é mostrarem-se bem-educados,
Para merecer respeito e confiança,
Quando na sombra são uns malvados,
Capazes de maltratar uma criança.

Não basta cuidar a imagem exterior,
Para que os tenham em alta conta,
Se alimentarem no seu interior,
A besta selvagem que tudo afronta.

Não bastam as palavras de simpatia,
Com que conquistam as multidões,
Se a mente não estiver em sintonia
E não fizerem como dizem boas acções.

Não é acreditar e tomar por certo,
O boato que alguém apregoa,
Sem antes fazer um juizo esperto,
Ouvindo uma ré que pode ser boa.

As leis e quem as faz

As leis e quem as faz

Há quem, acoberto da imunidade,
Possa fazer e dizer quase tudo,
Que há sempre quem cale a verdade,
E por medo se quede mudo.

Aprovam leis e têm-nas por boas,
Enquanto nenhum deles escorrega,
Mas contra elas inventam loas,
Se a justiça em falta os pega.

Quando os pobres são acusados,
As leis estão bem como estão.
Mas se são políticos os visados:
Há que revê-las e fazer alteração!

Quando nem de seus próprios lares,
Conhecem a vivência do dia a dia,
Afirmam a inocência dos seus pares,
Com uma certeza quase doentia.

Deviam ser exemplo e garantes,
Das leis de que são autores,
Mas mostram-se sempre relutantes,
E raramente são cumpridores,

Têm a verdade como certa e sabida
Mas usam tudo para a combater
Desde a teia mais bem urdida
À lei que se apressam a distorcer

Os que têm mais dinheiro e poder,
Julgam-se uns pequenos reis,
A quem nada pode acontecer,
Ainda que violem regras e leis.

Adiam a justiça indefinidamente,
Para quem tem poder e conhecimentos.
Mas aplicam-na rápida e contundente,
Para os simples e sem proventos.

O 11 M e o futuro

O 11M e o futuro

A barbárie e o terror provocados
No onze de Março em Madrid,
Não podem ser mais ignorados
Nem quem o povo assim agride.

A Espanha está sofrendo a dor
E a Europa também geme ferida
Perante o tamanho deste horror
Que não mais se esquece em vida.

Ontem, foi o povo nosso irmão,
O alvo do ódio e da raiva cega.
Amanhã, podemos nós ter em mão,
As mágoas que ele hoje carrega.

Condeno quem semeia o terror
E o promove no mundo inteiro,
Mas também quem sem pudor
Vende as armas só por dinheiro.

Estes filhos do demónio sem rosto,
Podem antecipar o Apocalipse
Se o Mundo não estiver disposto
A travá-los e antes os eclipse.

Estamos todos ameaçados
Nos nossos direitos e liberdades,
Por esta seita de malvados
Que não respeita sexo nem idades.

A resposta que os países devem dar,
A quem à vida não dá valia,
Não é a medo e sob pressão dialogar,
Mas lutar, unidos sem cobardia.

Negociar sob o peso da violência
Não trás uma paz duradoura:
Só dura até que nova exigência
Surja da parte tida por ganhadora.

Se para nosso mal chegar ao poder,
Quem assim mata inocentes;
Não duvidemos que irá remeter,
À escravidão todas as gentes.
Que este crime possa servir
De alerta ao Mundo livre
Fazendo que de vez se possa unir
Para punir gente de tal calibre.

Só um ser cruel e repelente.
Sem dignidade nem moral
Assassina gente inocente
Ou lhe torna a vida infernal.

O sentimento de medo e insegurança
A que a violência nos transporta
Deve ser combatido com perseverança
Pessoa a pessoa, porta a porta.

É preciso acordar da apatia
Em defesa de nova ordem mundial
Se não pagaremos caro a cobardia
Do modo mais terrível e fatal.

A Europa deve agora reagir
Em conjunto e de forma eficaz
Senão acabará toda ela por ruir
E terá insegurança em vez de paz.

Se os governos são incapazes de dar
A segurança e a paz ao cidadão
Porque os estamos a sustentar
Fazendo caro o nosso pão?

Que futuro estaremos a construir
Para dar aos filhos e netos
Se estamos hoje a permitir
Os actos mais vis e abjectos?

segunda-feira, 9 de maio de 2011

A caneta e a arma!

A Caneta e a arma

A caneta promove e apela à paz
E leva conforto a quem precisa;
A arma é como animal voraz:
Fere, destrói e nem avisa.

A arma degrada e embrutece
Quem a possui e dela abusa
A caneta é um dom, uma benesse
Que torna grande a quem a usa.

A caneta é leve e apenas dispara
As ideias de quem a utiliza;
Uma arma, brutal, à vida pára
Violenta, subjuga, atemoriza.

Há ideias transmitidas pela caneta
Que vão, vingam e permanecem,
Mas as que levam a força da baioneta
Duram o que dura a força logo esquecem.

A caneta move-se suavemente
Nas mãos de quem a maneja
A arma dispara brutalmente
Uma bala fatal e malfazeja

A caneta é inofensiva e mansa
Qualquer que seja o portador,
A arma é uma afiada lança
Na mão de quem não tem amor.

A caneta que critica e ofende
Também pode pedir perdão
Mas a arma que a vida fende
Não poderá fazer regressão.

A caneta é arma que esgrime
Quem as suas ideias quer expor
A arma é força que mata e dirime
E que pela violência as quer impor

A arma é argumento dos sem razão
E dos que sem ela não são ninguém;
A caneta é ferramenta de opinião
De quem ao mal prefere o bem.

A caneta é a arma do pacifista
Que crê no dialogo sem violência
A arma é o argumento do terrorista
E da sua falta de consciência.

As questões que dividem o homem
Deviam ser resolvidas pela caneta
E não pelas armas que consomem
E semeiam o caos no Planeta

Não precisou de armas Cristo,
Platão e outros que filosofaram
E os seus ideais, está visto,
Resistiram e a nós chegaram.

O Político!!!

O político

Percorre todo o país à pressa
Fazendo aos eleitores a promessa
De tornar reais os seus anseios.
Mas só do voto se interessa
E o que quer é montar depressa
Para lhe pôr albarda e arreios.

Procura intensamente o voto
Mas não é do eleitor devoto
Após a obtenção do que quer.
Pois no seu intimo, ignoto,
Vazio e de sentimento roto
Faz da ingratidão o seu mister.

Beija e saúda com um sorriso
Porque sabe que é preciso
Conquistar a simpatia;
O que redunda em prejuízo
Daquele que não tem juízo
E na palavra dele se fia.

Muitas das vezes mente
Dizendo aquilo que não sente
Para agradar aos ouvintes.
Louva e adula directamente
Um qualquer tipo de gente
Sem se importar com requintes.

Faz discursos docemente
E trata a todos como gente
Quando em tempo eleitoral.
Mas olha como número somente
Quem do voto lhe faz presente
Depois de subido ao pedestal.

Usa um discurso que está viciado
Porque um minuto passado
Tem conteúdo diferente.
E aquele que fora exaltado
É de valor esvaziado
Como um ser repelente.

Faz leis com boa intenção
Às quais foge na primeira ocasião
Para seu interesse ou proveito.
Mas obriga o vulgar cidadão
Sob pena de severa punição
A andar na lei e direito.

Corta direitos e outras regalias
E é especialista em tosquias
Sem respeito pela pele alheia.
Mas dá subsídios e mordomias
Aos amigos, tios ou tias
E aos bóis de que se rodeia.                               

Aprova na hora apetecida
Leis que faz à sua medida
Tornando legal o que o não era.
Defende, apoia e dá guarida
Tendo gorda e bem nutrida
Gente que gravita na sua esfera.