sábado, 21 de maio de 2011

DESEQUILIBRIO

               

Ao ver o Sol, a Lua e as estrelas no seu lugar,
Surpreendo-me a meditar porque razão,
Alguns homens aos outros querem roubar,
A paz, a liberdade e o direito sobre o seu chão.

Não compreendo, por isso custa-me a aceitar
Que a Natureza, aos astros ponha travão,
E não limite ou seja incapaz de controlar
No homem, os desejos de louca ambição.

Quase diariamente, todos nos intrometemos,
Nas leis que regem o Universo em que vivemos,
E que foram imutáveis durante milénios,

Será porque pensamos que tudo sabemos,
E que nada pode resistir aquilo que queremos,
Crentes que habitam em nós almas de génios?

O BOATO.


O boato é como a pólvora, explosivo,
E propaga-se á mais alta velocidade,
Proclamando como se fosse verdade,
A incerteza sem nenhum limitativo.

É um vírus que se mantém activo,
E para o qual não há prazo de validade,
Nem alguém que aceite a paternidade,
Ou invente qualquer vacina ou curativo.

Uma vez que foi lançado ao vento,
Há sempre quem lhe dê sustento,
Contando-o por aí a toda a gente.

E ainda que seja provocação ou mentira,
Das costas do visado ninguém o tira,
Nem há quem o apague da mente.

QUERIA



Queria que minha escrita fosse semente,
E nesta terra pudesse vir a germinar,
E a vontade para a poesia levantar,
No coração e na alma de toda a gente.

Gostaria que ninguém fosse indiferente,
A esta forma tão bela de se expressar,
E cada um pudesse em breve despertar
Escrevendo em poesia tudo o que sente.

Gostaria de poder sentir ainda em vida,
O prazer de nas escolas ver promovida,
A poesia como uma qualquer disciplina.

Pois se a prosa é importante e tem valor,
Também o tem a poesia sem favor,
Pelo que tem mais que ela de divina.

Valores invertidos?


O homem mata e desfaz sonhos
E sem se saber porque razão
Provoca desastres medonhos
Que até arrepiam o coração.

Todos os restantes animais
Não lutam por ódio ou maldade
Apenas por instintos naturais
Em defesa da sua integridade.

Admiro no homem a habilidade
Com que adula e se faz amigo
Como me desilude a facilidade
Que o faz passar a inimigo.

É o dinheiro que dita as opiniões
Que deste ou daquele fazemos
E não olhamos a outras razões
Que de valor não têm menos.

Damos valor aos nossos concidadãos
Conforme os seus bens materiais
Ainda que tenham sujas as mãos
E no bolso o dinheiro dos demais.

Aceitamos dos ricos e de bom grado
Uma critica que nos afronte
Mas reagimos de animo exaltado
Quando é o pobre a sua fonte.
Deixamo-nos levar ao engano
Pelo discurso do bem falante
Dito por um qualquer fulano
Que traje de roupa elegante.

Aos pobres e pouco instruídos
Como de peçonha tomados
Não damos atenção nem ouvidos
E queremo-los de nós desviados.

Olhamos com indiferença, desconfiados
Para quem trabalha de forma honrada
Mas julgamos superiores e educados
Aqueles que vivem sem fazer nada.

Ao ver o que se passa, penso
Que o caminho hoje seguido
É um labirinto vasto e imenso
Em que o homem anda perdido.

A Praxe (excessos)

                           

Aceito como brincadeira
A praxe dos estudantes
Mas não a do tipo asneira
Que humilha os aspirantes.

São e devem ser respeitados
Os princípios éticos e morais
Que só vemos ser ultrapassados
Por alguns grupos de anormais

Que quem entra a primeira vez
As portas da Universidade
Não seja sujeita à estupidez
De quem não tem moralidade

É preciso que a autoridade
Ou alguém ponha travão
Aos actos de tal leviandade
E faça do superior um ensino são

Quanto aos prevaricadores
Que não respeitam os demais
São apenas merecedores
Do que fazem a outros, nem mais.

Gostaria de deixar no ar
Uma simples questão;
È esta gente que vai ensinar
A futura geração?

PEDÓFILIA

               
As crianças são maltratadas
E da sua inocência arrebatadas,
Porque o homem, ser bestial;
Encobre e nega as provas
Que podiam trazer novas
Sobre a origem do mal.
                                                
Que o homem ouça a razão
E não preste mais servidão
Á besta que vive em si;
Deixe as crianças sorrir
E nada faça para destruir
A flor que desponta ali.
               
Calaram tudo o que sabiam
E não ouviram o que ouviam
Porque era pobre a voz queixosa.
Fosse ela rica e atenderiam
Como depressa condenariam
De forma exemplar e ruidosa
                 
Aqueles que sabiam e silenciaram
O crime e não o denunciaram,
Não podem ser desculpados.
E devem ser-lhe pedidas contas,
Sobre todas as dores e afrontas,
Sofridas pelos maltratados.
                 
Espero que a justiça funcione,
E justifique o próprio nome,
Descobrindo os malfeitores.
E não vá deixar impunes,
Aqueles que se julgam imunes,
Ou credores de seus favores.
                 
Gostaria de ver condenados
Os verdadeiros culpados;
E que no fim desta guerra
Não possa mais ter sentido
O verso do poeta ido;
“Forço as leis, domino a Terra”

CULPAS!!!



Às vezes colocamos no pedestal,
Um cidadão que julgamos especial
Por dar mostras de boa educação;
Esquecemos que é barro, infelizmente,
E que por trás do invólucro, realmente
Se esconde um monte de podridão.

Porque são ricos os farsantes,
Foi fácil ter por cooperantes,
Figuras da mais alta sociedade.
Pois até alguns governantes,
Se fizeram de propósito, ignorantes
De tão baixa promiscuidade.

Por dinheiro ou outros interesses,
Não querem perder as benesses,
Que têm da gente importante.
Não dizem o que deviam dizer,
Para em verdade esclarecer
Um crime tão degradante.

O facto de terem amigos e poder,
Não lhes dá o direito a submeter,
Ou a forçar os que são indefesos.
Devem ser como os outros, julgados;
Por cega e igual justiça condenados
E se de tal merecedores, ficarem presos.